Lula alfineta Ciro Nogueira no Piauí e afirma: “Não aceito vira-lata do nosso lado”

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Presidente declara apoio explícito a Marcelo Castro e Júlio César e encerra especulações sobre possível neutralidade na disputa pelo Senado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou clara, na noite desta quarta-feira (9), em Teresina, sua posição na disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Piauí. Diante de uma multidão estimada em cerca de 50 mil pessoas, Lula pediu votos para Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) e afirmou, de maneira contundente, que não aceita “vira-lata” ao seu lado político.

 

Sem citar nominalmente o senador Ciro Nogueira (PP), que disputa a reeleição e está no campo político adversário do grupo liderado por Rafael Fonteles, Lula declarou:

“Eu vim aqui para pedir voto para Júlio César. Eu vim aqui para pedir voto para Marcelo Castro. E quero que vocês saibam que eu não tenho outro candidato. Meu senador é o Júlio César e o Marcelo Castro. Não aceito vira-lata do nosso lado. Queremos gente de bem.”

A declaração foi interpretada no ambiente político piauiense como um recado direto ao presidente nacional do Progressistas. Ciro Nogueira não foi mencionado pelo nome, mas é o principal nome identificado com o campo oposicionista na disputa pelo Senado e aparece na mesma corrida eleitoral que Marcelo Castro e Júlio César.

A fala de Lula também teve um peso político maior porque ocorreu justamente em meio às especulações de que poderia existir um entendimento para que o presidente mantivesse uma posição de neutralidade na eleição para o Senado no Piauí. Antes do evento, veículos nacionais haviam relatado a expectativa de que Lula evitasse confrontar diretamente Ciro e se limitasse a fazer campanha para Rafael Fonteles.

Na prática, porém, Lula foi além. Não apenas pediu votos para Marcelo Castro e Júlio César, como fez questão de afirmar publicamente que não possui outro candidato ao Senado no Piauí.

Lula escolhe lado

A manifestação representa uma demonstração de fidelidade política aos aliados que compõem a chapa governista. Lula não deixou espaço para uma interpretação de neutralidade: em cima do palanque, apresentou Marcelo Castro e Júlio César como seus candidatos e pediu diretamente o voto dos piauienses.

O movimento ganha ainda mais relevância pelo peso eleitoral de Lula no Piauí e pela importância estratégica das duas vagas em disputa. A eleição de senadores alinhados ao presidente é defendida pelo grupo governista como fundamental para garantir uma bancada capaz de apoiar, no Congresso Nacional, as pautas e os projetos defendidos pelo governo federal.

A mensagem de Lula, portanto, não foi apenas eleitoral. Foi também política: o presidente quer aliados de confiança no Senado e não pretende esconder quem são seus candidatos no Piauí.

Uma resposta aos rumores de bastidores

A declaração também serviu para enfraquecer os rumores de que Lula teria combinado uma espécie de trégua eleitoral com Ciro Nogueira. A existência de um suposto acordo de não agressão vinha sendo comentada nos bastidores e alimentava a expectativa de que o presidente pudesse evitar uma manifestação explícita em favor dos dois candidatos da base.

Essa possibilidade, entretanto, foi contrariada pelo próprio Lula.

Ao dizer diante de milhares de pessoas que seus únicos candidatos ao Senado são Marcelo Castro e Júlio César, o presidente tornou pública uma escolha que até então vinha sendo cercada de especulações.

E foi além ao utilizar a expressão “vira-lata”, deixando uma frase de forte impacto político no momento em que a disputa pelo Senado entra em sua fase decisiva.

A sinceridade de Lula

A fala também expõe uma característica conhecida da trajetória política de Lula: quando decide apoiar alguém, o presidente costuma fazer questão de demonstrar publicamente sua preferência.

No caso do Piauí, a declaração ganha um significado ainda maior diante da relação política conturbada que Lula e Ciro Nogueira construíram ao longo dos últimos anos. Ciro já integrou o governo petista como ministro e, posteriormente, passou a ocupar posição de oposição ao presidente, chegando a exercer papel de destaque no campo político adversário.

Para os aliados de Lula no Piauí, portanto, a declaração representa mais do que um simples pedido de voto. É uma demonstração de que o presidente não pretende esconder seus aliados nem dividir seu palanque com quem não considera parte de seu projeto político.

O recado foi dado sem que Lula precisasse sequer pronunciar o nome de Ciro.

Um duro revés para a tentativa de neutralidade

Politicamente, a declaração também representa um revés para qualquer estratégia que dependesse de uma postura neutra de Lula na disputa pelo Senado.

Se havia expectativa de que o presidente pudesse evitar uma escolha pública, ela caiu por terra na noite desta quarta-feira.

Lula escolheu Marcelo Castro. Lula escolheu Júlio César. E fez questão de dizer à multidão que não tem outro candidato ao Senado no Piauí.

A frase sobre os “vira-latas” acrescentou ainda mais força ao discurso e foi imediatamente incorporada ao debate político local como uma das declarações mais contundentes da passagem do presidente pelo Estado.

No palanque ao lado de Rafael Fonteles, Wellington Dias, Marcelo Castro e Júlio César, Lula deixou uma mensagem inequívoca: na eleição para o Senado, ele tem lado — e seus dois lados são Marcelo Castro e Júlio César. 

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Redação Rolo de Fumo

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