O Governador destaca experiência acumulada, proximidade com o presidente e força do Nordeste na disputa de outubro
O governador e candidato à reeleição pelo PT, Rafael Fonteles, apresentou, durante sabatina realizada nesta sexta-feira (18), uma análise abrangente do cenário eleitoral de 2026, combinando a leitura das pesquisas no Piauí, a composição das forças políticas no estado e os movimentos da disputa presidencial. A avaliação exposta pelo governador também evidenciou a importância que ele atribui à relação política construída com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao papel do Nordeste na eleição de outubro.

Ao comentar os levantamentos eleitorais, Rafael demonstrou que acompanha os números não apenas como indicador de sua posição na corrida pelo Governo do Piauí, mas também como instrumento para medir a percepção da população sobre a administração estadual.
“Fico feliz com as pesquisas que avaliam o nosso governo, porque sempre nós temos que olhar para a avaliação do governo, área por área, até para você corrigir rumos, eventualmente”, afirmou.
A leitura do governador ocorre em um momento em que pesquisas recentes apontam vantagem de sua candidatura no Piauí. Levantamento Datafolha divulgado nesta quinta-feira (17) registrou 55% das intenções de voto para Rafael, contra 25% de Joel Rodrigues. Na contabilização dos votos válidos, os percentuais são de 65% e 29%, respectivamente.
Rafael, entretanto, procurou afastar qualquer postura de acomodação. Segundo ele, mesmo diante dos números favoráveis, a campanha precisa manter presença nas diferentes regiões do estado e continuar buscando apoio.
“Isso não tira a nossa humildade, os nossos pés no chão. Pelo contrário, cada vez temos que trabalhar mais e percorrendo diferentes regiões do estado em busca de apoio”, declarou.
Uma leitura que vai além da eleição estadual
A análise apresentada por Rafael também alcançou a formação da próxima bancada piauiense na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. O governador afirmou acreditar que o desempenho político construído ao longo do mandato poderá ampliar a representação de seu grupo nas duas Casas.
“Nós acreditamos, pelo trabalho feito, pela força do nosso time e por tudo que desenvolvemos ao longo desses quatro anos, que nós teremos a maior base aliada da história do Piauí na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal”, afirmou.
A estratégia estadual está diretamente conectada à disputa nacional. Rafael também destacou as candidaturas de Marcelo Castro e Júlio César ao Senado e lembrou o posicionamento público de Lula durante sua passagem pelo Piauí, quando o presidente declarou apoio aos dois candidatos.
“O Lula é uma pessoa que se posiciona e ele deixou claro, quando veio ao estado, quem são os seus senadores”, disse.
A proximidade entre Rafael e Lula ganhou ainda mais visibilidade ao longo da campanha. Em agosto, durante evento nacional do PT, o presidente voltou a elogiar o governador piauiense e o apontou como um nome de destaque da nova geração do partido.
Nordeste como peça central da eleição presidencial
Ao tratar da eleição para a Presidência da República, Rafael afirmou acreditar que Lula poderá alcançar em 2026 uma votação superior à registrada em 2022. Para sustentar sua avaliação, o governador citou a mudança de posição política de Lula, que em 2022 disputou a eleição como candidato de oposição e agora busca a reeleição como presidente.
“Primeiro porque, em 2022, ele estava na oposição. Agora ele está no governo, fez um belíssimo governo com muitas entregas”, afirmou.
A força do Nordeste aparece como um dos elementos centrais dessa leitura. Dados recentes mostram que Lula mantém vantagem nos nove estados nordestinos, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta desempenho mais forte em parte do Sul e do Centro-Oeste. No Sudeste, o cenário é mais equilibrado, com diferenças entre os estados.
Em 2022, o Nordeste teve papel decisivo na votação presidencial, e os dados atuais mantêm a região como importante núcleo eleitoral de Lula. Ao mesmo tempo, os levantamentos de setembro mostram uma disputa nacional competitiva, com variações importantes de acordo com o instituto e a metodologia. O Datafolha divulgado em 17 de setembro, por exemplo, apontou 39% para Lula e 36% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, enquanto no segundo turno registrou 46% a 44%, dentro da margem de erro.
É nesse contexto que Rafael projeta uma ampliação do desempenho de Lula em relação a 2022, inclusive em regiões nas quais o presidente enfrentou maior resistência eleitoral. Essa é uma avaliação política do governador, e não uma conclusão estabelecida pelas pesquisas atuais, que ainda apontam cenários distintos entre as regiões brasileiras.
Diferenças entre Lula e Flávio Bolsonaro
Na avaliação de Rafael, a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro tende a tornar mais claras as diferenças entre os dois projetos políticos.
“Quem é que mais representa serenidade para o país, defesa da democracia, defesa da soberania, desenvolvimento sustentável? Quem é que mais valoriza o povo? A diferença é nítida”, afirmou.
A declaração reforça a estratégia política adotada por Rafael ao longo da campanha: associar sua candidatura à liderança nacional de Lula e apresentar a eleição estadual e a presidencial como disputas conectadas politicamente.
Apesar de considerar o cenário nacional acirrado, o governador afirmou que sua experiência acumulada nos últimos anos o deixou preparado para administrar o Piauí independentemente do resultado presidencial.
“Eu estou preparado para governar o Piauí em qualquer cenário. Bem mais preparado, inclusive, que em 2022”, declarou.
Na sequência, Rafael reiterou sua expectativa em relação à disputa presidencial: “Eu não cogito essa hipótese, porque tudo indica que o presidente Lula será eleito”.
Com a eleição marcada para outubro, a avaliação do governador coloca o Nordeste — e especialmente o Piauí — como parte relevante da estratégia eleitoral de Lula, ao mesmo tempo em que evidencia a aposta de Rafael em uma votação presidencial mais ampla do que a registrada em 2022. As pesquisas, porém, ainda retratam uma disputa nacional aberta e com diferenças significativas entre as regiões.